12
dez

OS CS DO CRÉDITO

 

Os Cs do crédito? Sim, apesar da teoria histórica eles existem na prática e são muito importantes em nosso dia a dia, utilizamos cada conceito e muitas vezes nem notamos. Julgamos prudente e sempre bom revisar cada item, porém não seria diferente; vamos dar nosso devido ar “prático” para a ferramenta. Vejamos:

O dia a dia do conceito

Os Cs do crédito são amplamente utilizados quando tratados na teoria da concessão e análise de crédito. WESTON e BRIGHAM (2000), citam os 5 Cs do crédito (Capacidade, Colateral, Caráter, Condições e Capital) como elementares em qualquer situação de avaliação de pessoa física ou jurídica. Já SILVA (1997) inclui o Conglomerado como fator também importante na avaliação destes conceitos. Três importantes teóricos do nosso dia a dia, e muito felizes em seus estudos. Portanto, agradando gregos e troianos, e considerando que julgamos muito importante cada item, adotaremos 6 C ‘s do crédito neste pequeno estudo.

Agora, deixemos em segundo plano a teoria e vamos à prática. Ao final, gostaríamos de deixar uma percepção bastante particular, e a criação de um novo C do crédito. Porém, deixamos o “gostinho” ao desenrolar do texto.

1.  Caráter

O PRINCIPAL C DO CRÉDITO. REPETINDO: O PRINCIPAL, O MASTER “C” DO CRÉDITO. Desculpe a insistência. Absolutamente nenhuma avaliação financeira, nem o melhor CREDIT TRACKER (rastreador, farejador de informações sobre crédito e cobrança) poderá montar alguma operação se não existe CARÁTER na relação com empresa ou operação em análise.

O caráter vem de valores pessoais, acima de qualquer capacidade, garantias, condições e conglomerado. A pré-disposição ao pagamento, em consonância com o Capital, são peças chaves na relação de crédito, portanto, andam lado a lado em nossa percepção.

Neste quesito, o CREDIT TRACKER deverá avaliar a confiabilidade da empresa, verificar as referências de mercado, análise pessoal dos sócios e o histórico de credito empresarial, índole dos empresários, idoneidade e reputação.

2.  Capacidade

Um CREDIT TRACKER deverá avaliar a capacidade do negócio da empresa perpetuar e seguir em pleno desenvolvimento. É a constatação das condições de operação daquela empresa em avaliação. Quesitos tecnológicos, mercadológicos, estratégia empresarial, capacidade de gestão dos empresários e tempo que a empresa está no mercado, deverão ser permanentemente avaliados. Mais que isto, é também avaliar a capacidade de relacionamento desta empresa no mercado. Como ela é vista, e como ela quer ser vista.

Por experiência, recomendamos fortemente visitas “In Loco” além da formatação de questionários qualitativos para preenchimento da equipe comercial e do CREDIT TRACKER sobre estes itens.

3.  Condições

O C do Crédito que torna o CREDIT TRACKER singular em qualquer negócio. Trata-se da capacidade de avaliação da situação conjuntural da empresa, como ela se comporta, e de que forma a companhia se inter-relaciona com o meio. Vocês já pensaram em realizar uma análise SWOT do possível tomador de crédito? Esse é o papel do CREDIT TRACKER, analisar as forças da empresa, fraquezas, oportunidades e ameaças do mercado. Julgamos no mínimo “interessante” o exercício.

De forma complementar e do perfil “farejador” do CREDIT TRACKER, a análise externa empresarial também será analisada através de dados setoriais, de órgãos técnicos, instituições oficiais e de classe.

Para cada negócio, observamos aspectos particulares, entretanto, de uma forma geral deverão transcorrer nas seguintes ideias: informações sobre os produtos e mercado, macroeconômico e setorial; o ambiente competitivo; e a relação da empresa com órgãos governamentais.

4.  Capital

Acredito que alguns já tenham notado que a ordem de cada C exposta nesta troca de experiência, não foi aleatória. O que gostaríamos é justamente de influenciar para uma análise mais comportamental, conjuntural e não meramente de Capital. Este é o papel do CREDIT TRACKER.

Entretanto, estamos falando de recursos monetários, empréstimos de divisas e financiamento de cadeia, portanto, a análise de capital é extremamente importante nesta avaliação. Estamos falando justamente da análise de balanços, informações financeiras, fonte de financiamentos, estrutura de capital, liquidez, endividamento e indicadores “mil” que poderíamos citar.

Portanto, seria redundância de nossa parte ensinar o “padre a rezar a missa”. Entretanto, gostaríamos de levar a discussão para outro lado: o da geração de caixa. Ou seja, a empresa apresenta geração de caixa suficiente para liquidar suas obrigações? Qual a relação Geração operacional de Caixa (aquilo que o negócio efetivamente gera de recursos) x a dívida contraída com bancos? Será que é uma relação saudável, e que não onera a estrutura de capital da organização? Será que as despesas de contratação deste financiamento oneroso (bancos), não compromete a rentabilidade do negócio? Prazo de faturamento x Prazo de Recebimento? Fazemos essa lição de casa com nosso cartão de crédito, porém será que no GAP de prazo não está o insucesso da empresa? Bons produtos, renome de mercado e uma estrutura de capital que necessita de crescente aporte oneroso?

Deixo aqui nossa provocação para o dia a dia do CREDIT TRACKER e os inúmeros cálculos por detrás deste “C”.

5.  Conglomerado

O bom CREDIT TRACKER provavelmente tenha passado por este tópico no momento da análise SWOT no tópico “Condições”, ou seja, avaliar se apresa faz parte de um conglomerado ou grupo econômico pode ser fator de sucesso, ameaça, fraqueza ou oportunidade para qualquer empresa.

Falando especificamente deste tópico, avalia-se as empresas controladas, controladoras, coligadas ou interligadas, detalhando as relações e possíveis riscos e oportunidades desta situação. Uma nova análise SWOT poderá ser realizada neste tópico.

Pensemos grande, afinal somos CREDIT TRACKER, farejadores e rastreadores de informação.

6.  Colateral/Garantia

Muitos dos responsáveis por crédito no mercado, comumente utilizam-se de garantias para mitigação de seu risco ou flexibilização de operação. Portanto, deixamos este item ao final.

A experiência do dia a dia, permite influenciar a todos que garantia não é certeza de recebimento. Trata-se de um instrumento de pressão (psicológico ou tangível) no possível pagamento de uma dívida. Obviamente, a presença de garantias pode facilitar a busca por reaver seus recursos, já que por meios jurídicos, temos respaldo na execução do contrato/título em questão. Será? Será que o C “Caráter” também não influencia inclusive no momento de garantias? Garantia deve ser conceito como mitigador, e não como peça singular da aprovação do crédito. Ela não isenta todos os “C” vinculados acima, tampouco a propensão e a capacidade de pagamento do tomador do crédito.

Este deve ser o pensamento do CREDIT TRACKER e principal motivação para escolha e negociação de um colateral.

Voltamos ao C – Colateral:

Considerando o pensamento acima, todos os tipos de instrumento que podem gerar desconforto ou pressão ao devedor para pagamento podem e devem ser utilizadas como garantia, as mais habituais no nosso negócio são: Equipamentos (atentar a depreciação e liquidez), imóveis, contas a receber/conta-caução, penhor mercantil ou de recebíveis, carta fiança bancária, seguro de crédito, fiança/aval pessoal e jurídica. Atenção as situações jurídicas e documentos necessários em cada formalização. O Slogan já dizia: Consulte sempre um bom jurídico.

Ah sim, qual seria o C do Crédito “criado” por nós nesta avaliação? CONJUNTO. Ou seja, não se avalia C do Crédito de forma unilateral, mas sim em conjunto. Determinada empresa pode ter uma ótima situação patrimonial e ainda oferecer garantias para mitigar sua exposição devedora, porém se os acionistas não estiverem dispostos a pagar ou há indícios de mal caráter dos empresários, fuja desta empresa, ela definitivamente não pagará suas operações e você brigará na justiça por seus direitos (resumindo. Esquece). Evitem frustrações, aprofundem o conhecimento em seus clientes e bons negócios.

CREDIT TRACKER.