20
jun

Parte 1 – Futurismo competitivo

Anteriormente sinônimo de progresso, o futuro é hoje algo que, no presente, já traz um certo sentimento de ansiedade. Havia uma certeza ainda meio que provisória sobre o que viria pela frente. A gente não sabia o que iria acontecer em poucos anos, mas sabia que era algo bom! Atualmente, não é difícil encontrar, por exemplo, filmes e séries de televisão que mostram distopias – realidades imaginárias onde os seres humanos de alguma forma não se dão bem. E os noticiários também não ajudam muito! Com tamanha exposição, ficamos cada vez mais incertos sobre o mundo em que viverão os nossos filhos.

Você certamente já ouviu que vivemos uma transformação, no caso chamada de digital. Este assunto é um dos responsáveis por mudar o futuro comum com que estávamos acostumados a lidar, para um futuro incomum. E a percepção é que tudo mudou tão rápido que é difícil entender o que está acontecendo. Pois bem, nesta série de 4 artigos, vamos ajudar você a entender a Transformação Digital e os impactos disto no mundo dos negócios e no trabalho, aumentando a sua clareza sobre o tema, e consequentemente o seu poder de tomar decisões melhores. E quem sabe esta série de artigos também não seja útil para que possamos dar um suporte melhor para os nossos filhos, que viverão em um mundo tão difícil de explicar para quem não o compreende.

Parte 1 – Cadê o futuro que estava aqui

Com o surgimento da internet, e consequentemente de novas mídias, a forma de se comunicar entre as pessoas mudou. Todo mundo ganha mais acesso ao que antes era restrito. Como você já ouviu, conhecimento é poder – então, mudam-se as formas de administração e de organização dos processos e das pessoas. No mundo dos negócios, a consequência imediata é o empoderamento do consumidor. O nível de exposição nas mídias sociais é enorme, gerando uma pressão absurda por medo de algum arranhão na reputação pelas empresas. A web possibilitou uma nova geração de clientes muito mais ativos, que inclusive define a qualidade do atendimento que está sendo oferecido ao próprio cliente. A reputação do serviço é medida através da nova linguagem digital (cliques, estrelas, comentários, likes e etc).

A linguagem é a base da sociedade. Quando muda a linguagem muda a sociedade. A humanidade já passou por outras mudanças. Passamos da linguagem oral para a escrita. Depois, passamos da escrita para a escrita impressa. E agora passamos da escrita para o digital. E toda vez que isto acontece, a mudança é tão disruptiva, que afeta o poder, a política e a religião – cai o rei, acaba a escravidão, se muda a forma de fazer negócios e por aí vai.

Esta não é a primeira transformação digital que vive a humanidade

E aí que começa a surgir a grande confusão desta revolução de mídias que estamos vivendo atualmente – a digital. Sem internet, realidade virtual, inteligência artificial ou robótica, não seria possível ver o mundo mudar. A tecnologia é o meio pelo qual ocorre a transformação e não o fim! Consequentemente, temos uma nova capacidade aumentada de administração dos processos e a gestão e comando das pessoas na sociedade, e consequentemente dos negócios e das empresas.

Então, surge a angústia e a depressão pela falta de entendimento da realidade atual e da projeção de cenários futuros que apontam para onde seguiremos. Tenta-se induzir o futuro a partir da mesma perspectiva de hoje, repetindo velhos hábitos, seguindo velhos modelos de gestão – é um risco muito alto. Veja por exemplo sucessos recentes de negócios: Uber, Airbnb e Mercado Livre. Os negócios são todos disruptivos! Não dá para comparar com nada do que veio anteriormente!

E então, resistir às mudanças para muitos profissionais significa a preservação do legado que ocupam: cargos, empregos e profissões. Se o legado garante o ganha pão, por que arriscar tudo e colocar o final do mês em risco? Enquanto o cenário é estável, permanecer na média é uma opção que funciona bem quando a taxa de competitividade é baixa. No entanto, o cenário atual é de brutal concorrência. É tanta abundância de informação, cooperação e inovação, que manter-se conservador pode ser muito arriscado.

Enfim, a forma de se comunicar nesta era digital modifica de uma maneira nova a dinâmica das relações interpessoais e nos negócios. um novo consumidor mais digitalmente experiente, e consequentemente mais ativo. Então, a voz do cliente nunca foi tão ouvida agora como antes. E este será o tema do nosso próximo encontro.